Resenha: Como Grande Onda | Roberta Sá abraça o samba em “Delírio”

 

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Luciana Loura / AG VIVER COM MÚSICA

Resenha de show
Título: Delírio
Artista: Roberta Sá
Local: Sesc Palladium (Belo Horizonte)
Data: 26 de maio de 2017
Cotação: * * * * *

Ela esta de volta. Desde 2012 com o disco “Segunda Pele” em que visitava o pop e deixava de alguma forma o samba de lado, Roberta Sá não ficava tão bem em cima de um palco. Com “Delírio”, CD lançado em 2015 e em formato de DVD ao vivo em 2016, a cantora potiguara radicalizada no Rio de Janeiro, trouxe o samba, ritmo que a fez conhecida nacionalmente, de volta e com mais amor. O show que aconteceu ontem, 26 de maio de 2017 no grande teatro do Sesc Palladium, às 21hs em Belo Horizonte, retratou de forma coerente uma artista mais potente vocalmente e mais interprete ao se entregar  em canções que precisam de intenções corporais e sentimentos internos vividos por ela, ou não, mas que estavam evidentes em seus gestos ao tocar o figurino (lindo, diga-se de passagem, usando-o como elemento cênico. “Covardia” de Ataulfo Alves e Mario Lago é um exemplo. “Água Doce”, de Roque Ferreira, presente no disco “Quando o Canto é Reza” de 2010, conseguiu arrancar palmas da plateia e levantada de vestido da cantora que abriu a cortina da quarta parede sob um lençol de alecrim. Em “Delírio”, de Rafael Rocha, música que nomeia a turnê foi um dos pontos altos do espetáculo que reuniu “Menino”, “Ah, se eu Vou”, “Me Erra”, “Um passo à Frente”, “Amanhã é Sábado” que cantada na véspera tem outro sabor e chega a ser uma brincadeira infantil e impossível de não se fazer: “Que legal, hoje é sexta!”, disse Roberta. “Samba de Amor e Ódio” antecedeu uma rápida conversa com o público: “Vocês fazem pão de queijo e boas cervejas”, agradecendo a receptividade e carinho toda vez que vem a capital mineira. Em seguida, apresentou o último bloco trazendo um pouco da Bahia para Minas. “Delírio”, o show, cumpre o que promete. É coeso, leve e digno de uma grande intérprete. Roberta Sá está neste patamar, no reencontro com o tamborim. Como se estivesse doida pra abraçar, doida pra matar a saudade e sentir o calor do samba. Pode se achegar, então, companheiro. Você balança, mas não cai. Você vem como grande onda. Você é nosso desatino, nosso delírio.

Por: Márcio Costa

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