Resenha: Com simpatia, Alice Caymmi revive funk com “pegada” psicodélica

alicecaymmivivercommusicacontra.jpg
AG VIVER COM MUSICA / Luciana Loura

Resenha de show
Título: Louca
Artista: Alice Caymmi
Local: Teatro Bradesco (Belo Horizonte)
Data: 30 de junho de 2017
Cotação: * * * *

Esbanjando simpatia, a cantora e compositora Alice Caymmi, subiu ao palco do Teatro Bradesco do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, às 21 horas em ponto. Carregando um sobrenome que dispensa apresentações, a neta de Dorival Caymmi imprimiu com categoria o seu estilo psicodélico com muito pop e funk. Integrando ao time da nova geração da MPB, a artista vai na contramão, ou não, depende do ponto de vista, do que hoje oferecem as cantoras de samba e afins. Acompanhada apenas do DJ Lucas Paiva nas programações e um cenário minimalista com duas torres de luz em cada lado do proscênio e uma tela branca ao fundo que refletia as cores de acordo com cada batida do repertório, Alice soltou a voz com desenvoltura e provou, se é que precisava provar algo, que um (bom) show não precisa obrigatoriamente de piano, baixo e bateria em cena. A abertura do espetáculo ficou por conta da canção “Meu Recado” (Veja um trecho aqui) que fez parte da trilha sonora da novela da TV Globo, A Lei do Amor (2016-2017). Em seguida, “Iansã”, música conhecida e lançada por Maria Bethânia em 1972 no disco Drama – Anjo Exterminado, ganhou uma versão moderna e alucinógena. “Huntler”, “Sozinha” e “Rebelde” antecederam a famosa música “Cilada” do Grupo de Pagode Molejo de 1996. Momento em que consegue fazer a plateia se soltar. Na sequencia, “Sangria” e a também conhecida “Princesa” de MC Marcinho que teve seu destaque merecido já que a versão é incrível e foi bem recebida no disco de estreia, Rainha dos Raios de 2014. “Homem” e “Baile de Favela” animaram ainda mais os fãs que já estavam íntimos com a irreverencia da cantora carioca. Ainda no repertório, “Leoa”, “Medley Funk”, “I miss Her”, “Deusa do Amor” e “Louca”, esta última uma versão em português de Loca, single da estrela mexicana Thalía. O show dividido em apenas 1 ato e sem troca de figurino ressalta como elemento cênico o penteado afro que revelou os cabelos rosas a medida em que Alice desfazia cuidadosamente cada lado dos pompons duplos em cena como parte do espetáculo. No (incrível) bis, momento alto do show, “Tudo que for Leve” e “Beleza Rara” embalaram a todos que já estavam de pé aplaudindo e dançando com a cantora. Para uma interprete em meio a grandes nomes do cancioneiro brasileiro, Alice segura bem seu som com letras refinadas e versões especiais transformando o que era popular em cult, principalmente quando requenta músicas que estão presentes na memória das pessoas. Trazer para hoje funks de outrora para uma geração que conheceu o da ostentação, por exemplo,  é uma boa sacada. O show que apresenta uma miscelânea de todos os seus trabalhos desde quando gravou sua primeira música, “Seus Olhos”, escrita pela irmã Juliana no álbum Desejo, da tia Nana Caymmi em 2002, já norteia o que pode vir por aí: muita animação, atitude e presença de palco.

                                                                        

                                                                             GALERIA

 

Por: Márcio Costa

 

 

 

Anúncios